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O ensino focado no desenvolvimento do aluno de forma individualizada

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Vamos falar sobre o ensino focado no desenvolvimento do aluno de forma individualizada, mas primeiro vou começar pedindo para você “exercitar” um pouco a memória e tentar lembrar seus tempos de escola… Como era a relação professor x aluno? Como eram as provas? A questão de disciplina e mau comportamento? Como o conteúdo era transmitido?

Ao longo dos anos, o ensino e a forma de ensinar foram mudando, ainda mais agora na chamada “Era da Informação”, também conhecida como “Era Digital”. Antes, o caderno, o lápis, a lousa, o giz, as apostilas e enciclopédias eram peças chaves do ensino. Um professor detentor de autoridade e conhecimento era quem ditava as regras para um coletivo, os alunos. Hoje, as coisas já estão mais diferentes e podemos dizer que os alunos participam de forma ativa no processo de aprendizado.

A educação aliada as novas tecnologias

Podemos perceber a transformação de muitas escolas que já utilizam as novas tecnologias na rotina escolar. Afinal, a criança já nasce inserida nesse contexto de sociedade onde as pessoas não vivem mais sem o celular, o computador, os aplicativos… Parece ser natural para ela abrir jogos como o Minecraft e construir o próprio mundo.

É certo que não há como viver em mundo paralelo sem as tecnologias, então por que não usá-las a nosso favor? É dever dos pais, responsáveis e também do professor orientar a forma de uso saudável e fazer com que o aprendizado por um iPad, por exemplo, se torne interessante, mas também eficaz.

De tantos anos que passamos na escola, existem situações que nos marcam e dependendo delas, nos causam uma experiência que vamos levar para a vida, sendo ela positiva ou negativa. Vou contar um episódio da minha história…

O reconhecimento por nossos esforços é poderoso

Eu estudei o Pré I, II e III em uma escola municipal que chamava carinhosamente de “Parquinho”, quando fui para a 1ª série, meus pais haviam mudado de cidade e me matricularam em uma escola particular, com um ensino bem mais forte e rígido. Como faço aniversário depois do meio do ano, eu era nova demais para entrar na classe dos alunos da 1ª série e assim, a diretora aconselhou minha mãe a me colocar novamente para estudar no Pré III. Claro que ela não deixou,

e lá fui eu para a nova escola, para a sala onde todos já sabiam ler, escrever e fazer contas (bem mais que eu).

No “Parquinho” a gente também aprendia, mas as brincadeiras eram mais frequentes na maior parte do tempo. No “Parquinho” dessa nova escola, os alunos do “Pré” já tinham bastante conteúdo para começar bem preparados a 1ª série.

Sempre fui esforçada, desde pequena, mas simplesmente não conseguia acompanhar meus coleguinhas de sala que já estudavam naquela escola e tinham realmente tido mais conteúdo do que eu. Diante dessa situação, os meus pais foram chamados na escola e novamente a diretora falava que a melhor solução seria eu refazer o Pré III. Minha mãe não aceitou e falou que estudaria comigo em casa. Assim ficou combinado, mas caso passasse “o prazo determinado” e eu não tivesse acompanhando a sala eu não poderia mais continuar.

Encontrando a solução e as surpresas da vida

Foram vários dias estudando muito com as atividades extras. Foi muita paciência da minha mãe e muita força de vontade minha de aprender. Assim passou o ano, a adaptação na nova escola e ao final do ano, sem saber tive uma surpresa…

A escola valorizada o bom desempenho e comportamento dos alunos de todos os anos com uma “Menção Honrosa”. No caso dos pequenos, da 1ª série, presenteava com uma agenda e adivinhem? Quando a professora chamou alguns nomes o meu estava entre eles: Larissa!

Eu não esperava porque realmente tinham alunos muito mais inteligentes. Na época eu fiquei muito feliz, mas não entendi muito o porquê eu? Com o passar dos anos e conhecendo a mim mesma melhor. Descobri que não ganhei aquela agenda por fazer as contas mais rápidas ou por tirar 10 em todas as matérias. E sim porque de fato eu era a que mais tinha dificuldade e com esforço fui melhorando e dentro dos meus limites eu cresci muito naquele ano…

Por muitos anos essa situação ficou como um fato isolado. Eu só lembrei disso e percebi o quanto essa “agenda” me estimulou e me fez “deslanchar” no meu processo de aprendizado muitos anos depois. Quando o papel era ao contrário, quando eu ensinava e encontrava alunos com dificuldade travando suas próprias “batalhas”.

As pessoas são todas diferentes e os alunos são pessoas, que tem mais facilidade em exatas, humanas, biológicas. Há alunos que desde pequenos tem facilidade com a língua inglesa e outros não. Apesar da avaliação precisar ser igual e justa com todos, também precisa ser levada em consideração de forma individualizada. Às vezes, o aluno não está com 10, ainda tem notas baixas. É preciso ponderar o quanto o aluno desenvolveu naquele período. Acredito que isso deve ser levado em consideração por todos os educadores!

Aprendizado para a vida

Realmente esse é um aprendizado para a vida em qualquer esfera sobre o ensino. Você nunca pode se comparar ao outro e sim você com você mesmo e pensar em ferramentas que possam ajudar. Por exemplo, sempre falo para meus alunos usarem as tecnologias e o tempo (muitas vezes escasso). Para praticar o inglês em um aplicativo, assistir aquele filme favorito em inglês e não mais dublado. Ler um livro completo em inglês estudando ele parágrafo por parágrafo…

Sim, desafios são essenciais e é preciso deixar a preguiça de lado!

O que você gostaria de aprender de novo? O que está fazendo para conseguir? Conte para nós!

Larissa Alves Macan é formada em Comunicação Social com ênfase em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC Campinas).  Fotografia pela Arquitec (Escola de Artes e Design). E a cada quinze dia estará dando dicas sobre educação para os leitores da Agenda In.